Inovação

Indústria 4.0 destaca agroalimentar

30/01/2017 |

Após vários meses de consultas e reflexões, o Governo apresentou a estratégia para a Indústria 4.0, que reflete um conjunto de 60 medidas de iniciativa pública e privada que deverão ter impacto sobre mais de 50 000 empresas a operar em Portugal e, numa fase inicial, permitirão requalificar e formar mais de 20 000 trabalhadores em competências digitais. No âmbito das medidas Indústria 4.0, está previsto que serem injetados na economia até 4,5 mil milhões de euros de investimento nos próximos 4 anos.

A FIPA teve um papel ativo na fase das audições e acompanhou todo o trabalho da CIP ao nível do Conselho Estratégico. Como resultado desta interação e da participação direta de várias empresas do setor, verifica-se que o agroalimentar merece destaque neste trabalho.

Para preparar as empresas portuguesas para a Industria 4.0, o Governo trabalhou, desde abril de 2016, com mais de 200 entidades e empresas em grupos de trabalho para diferentes sectores, como a agroindústria (produção, transformação, transporte e armazenamento), o retalho (distribuição, comércio eletrónico, têxtil, calçado, etc.), turismo e automóvel (moldes, plásticos, maquinaria, robótica, eletrónica, etc.).

Estes grupos, compostos pelas maiores empresas dos seus sectores, por PME e também por startups que dominam e estão a desenvolver soluções baseadas nas tecnologias características da quarta revolução industrial, têm facilitado o diálogo entre empresas, funcionários, associações, ciência e política e permitido a todos os agentes económicos ter uma compreensão uniforme do potencial da Indústria 4.0.

A missão destes grupos consistiu em produzir recomendações ambiciosas, mas realizáveis, para todos os envolvidos, com uma agenda adaptada às necessidades e ao potencial da nossa indústria.

Pela primeira vez empresas multinacionais como a Altice-PT, a Bosch, a Deloitte, a Google, a Huawei, a Microsoft, a Siemens ou a Volkswagen associaram-se ao Governo para delinear uma estratégia nacional para a indústria. Estas empresas integram o Comité Estratégico da iniciativa Indústria 4.0, juntamente com a Agência Nacional de Inovação, o Compete, a CIP, a Cotec, a GS1, o IAPMEI, o IPQ e o Turismo de Portugal, num total de mais de 15 entidades.

No desenho desta estratégia foi adotado um processo de trabalho inovador que, desde o início, convidou as empresas a refletir em grupos de trabalho sobre a experiência que cada uma tem no domínio da indústria 4.0, ouvindo os problemas que identificaram e as soluções que propõem.

Foram 10 meses de intensa interação com as empresas, clusters de competitividade, centros tecnológicos, universidades, multinacionais e associações empresariais, numa metodologia de trabalho coordenada pela Deloitte, que foi parceiro estratégico do projeto Indústria 4.0.

Todas estas empresas e entidades continuarão envolvidas na implementação desta estratégia, pois diversas das medidas apresentadas são de iniciativa privada ou de cooperação entre as diversas entidades reunidas na plataforma Indústria 4.0.

Para assegurar uma eficaz implementação destas medidas, foi assinado um protocolo entre o Ministério da Economia e a Cotec Portugal que prevê que a Cotec fique responsável pela monitorização das medidas e também pela sua atualização, já que as necessidades de atuação em contextos digitais mudam rapidamente.

A grande maioria das medidas que compõem a estratégia para a Indústria 4.0 visam a capacitação dos recursos humanos com uma forte aposta na formação desde tenra idade e ao longo de toda a vida, sendo tratada como prioritária a reconversão dos trabalhadores e a criação de novos empregos.

 

Conheça aqui as principais medidas

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