Nº 36 | 13 novembro 2020

Editorial

Pedro Queiroz | Diretor-Geral

No início da atual legislatura, em 2019, a FIPA apresentou ao Governo um documento em que deixava claras as suas prioridades estratégicas para a indústria agroalimentar. Num dos seus pontos sublinhava-se que “o caminho para a exportação e a internacionalização das empresas nacionais, como forma de conquista de novas oportunidades, tornou-se uma inevitabilidade”.

Nestes últimos meses, dado o cenário que todos conhecemos, esta afirmação passou a fazer ainda mais sentido e o crescimento de 1,53% nas exportações de produtos alimentares e bebidas é reflexo do empenho da indústria em ultrapassar barreiras e posicionar-se além-fronteiras.

Os dados do INE, analisados pela FIPA, correspondentes aos primeiros nove meses de 2020 em comparação com período homólogo, revelam muito mais. Revelam não só a capacidade das empresas no reforço de redes de contactos e relações comerciais, mas indicam confiança dos mercados na qualidade dos produtos da indústria agroalimentar nacional.

É um facto que o crescimento nas exportações foi muito mais significativo nas transações extra-União Europeia, atingindo um aumento superior a 16,5%, e que nos países da UE assistimos a um recuo de 6,20%. Acreditamos que este desempenho na Europa possa ter decorrido da instabilidade dos mercados que, a diferentes ritmos e formatos, vieram dar resposta à crise pandémica e que, mesmo apesar da criação das green lanes permitindo a normalidade no fluxo de abastecimento de produtos alimentares, houve uma retração nas trocas entre estes países europeus.

Portanto, se o momento coloca o agroalimentar como o setor crucial para não deixar em terreno ainda mais negativo as exportações nacionais, esse é um sinal de que a economia do país deve ser olhada também pela via da diplomacia. Há que haver resposta, naturalmente, para as dificuldades que o tecido empresarial e os portugueses estão hoje a enfrentar, mas as estratégias de projeção nacional não podem deixar de ter como alvo as relações internacionais.

Desde há muito, a FIPA defende que é necessária uma forte aposta em políticas económicas e diplomáticas de incentivo à exportação com vista à afirmação das empresas nacionais. Hoje, defende-o com maior convicção e, mais ainda, estará sempre disponível para a colaboração ativa nas iniciativas de identificação de barreiras e mercados-alvo e de promoção externa.


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