Agosto é por norma mês de férias e de descanso. Mas neste ano atípico, e em que mergulhámos numa realidade sem precedentes, este será inevitavelmente um mês para reflexões estruturais, seja para as empresas, para os governos, para os políticos e para cada um de nós, enquanto cidadãos.
Facto é que a já conhecida contração de 16,5% do PIB, verificada no trimestre do confinamento face a período homólogo, revela o forte impacto da pandemia na economia portuguesa. Devemos começar por refletir sobre estes dados e olhá-los como um sinal de que esta é a altura de reforçar as apostas que, no período pré-pandemia, permitiram uma maior estabilidade económica. Ou seja, reforçar estratégias de sustentabilidade, acreditar na inovação e promover a competitividade.
Este foi, aliás, o caminho apontado pelo Conselho Europeu na definição do Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027 e reforçado pelo Parlamento Europeu que, embora considere este próximo orçamento comunitário como positivo, afirma que, no mesmo, as apostas em inovação, investigação e desenvolvimento devem ser intensificadas.
Na verdade, de um breve olhar sobre a indústria agroalimentar podemos afirmar que estas têm sido, exatamente, as balizas da sua atuação. Arriscamo-nos a dizer que, por essa razão, fomos e somos resilientes.
No entanto, estamos conscientes de que teremos maiores desafios pela frente, com a incerteza a definir o padrão da “nova normalidade”. Desta forma, é imperativo que o futuro breve nos traga pelo menos uma certeza: que podemos continuar a trabalhar num quadro de estabilidade regulatória e fiscal.
É, por isso, que a resiliência demonstrada pela indústria agroalimentar - e por toda a cadeia de abastecimento -, deve ser valorizada. Será valorizado, assim, o contributo ativo que, com esta necessária estabilidade, pode ter para a retoma económica e social.
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