Competitividade

CIP define prioridades para a Presidência Portuguesa da UE

14/01/2021 |

A CIP – Confederação Empresarial de Portugal definiu um conjunto de prioridades das empresas portuguesas para a Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia num documento enviado, juntamente com uma carta, ao Primeiro-Ministro António Costa e à Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em que é sublinhada a urgência de encaminhamento dos fundos do plano de recuperação europeu para a economia real.

Na carta enviada aos responsáveis europeus, António Saraiva, presidente da CIP, defende que as empresas devem ser colocadas no centro da recuperação económica, depois de terem assumido uma grande responsabilidade ao conseguirem manter amplamente o emprego durante a pandemia e de terem demonstrado criatividade e flexibilidade para se adaptarem.

“Contudo, muitas empresas colapsaram e uma grande parte está a esgotar as reservas disponíveis para se manterem em funcionamento”, refere António Saraiva, acrescentando que “os apoios públicos, até ao momento, têm conseguido mitigar dificuldades e conter o aumento do desemprego. No entanto, são manifestamente insuficientes, no contexto de uma crise avassaladora que se arrasta há largos meses”.

A par das questões de ordem financeira, o presidente da CIP, sublinha que é urgente libertar as empresas de custos desnecessários, eliminar barreiras existentes no mercado único, e assegurar condições equitativas no acesso aos mercados. Alerta ainda que “devemos certamente avançar com a dupla transição climática e digital, dado que são a resposta para o nosso crescimento no médio e longo prazo. Contudo, os objetivos não poderão ser alcançados no imediato, pelo que temos de lidar com as necessidades e a realidade económica atuais”.

Considera, também, que a Europa deve continuar a impulsionar o livre comércio internacional, “com uma ambiciosa agenda de negociações, lutando contra o protecionismo”. Para isso, exorta à concretização dos acordos comerciais existentes e a ratificação dos acordos já celebrados, como o do Mercosul, ao aprofundamento das relações UE-África e ao relançamento da agenda transatlântica.

“A pandemia alertou para as fragilidades do sistema devido a uma rigidez exagerada que caracterizou as cadeias globais de valor e evidenciou as dependências excessivas em determinados setores ou em relação a determinados países. No seu esforço para garantir a autonomia estratégica, a Europa não deve fechar-se. Precisamos ter empresas que possam liderar em áreas ditas estratégicas, mas esse processo deve ser conduzido por forças de mercado e não predeterminado por governos”, finaliza.

No documento, que pode ser consultado na integra aqui, é sublinhado o apoio às prioridades definidas para a Presidência portuguesa de uma Europa resiliente, social, verde, digital e global, e são apresentadas recomendações sobre como atingir esses objetivos.

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