Competitividade

FIPA alerta para dificuldades das empresas

22.09.2022 |

Em comunicado emitido (20 de setembro de 2022), a Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares (FIPA) alerta que muitos dos operadores da indústria agroalimentar estão a ter dificuldades em manter o funcionamento dos seus negócios, em virtude dos rápidos aumentos dos custos de produção, o que pode colocar em causa o normal abastecimento alimentar no mercado nacional por parte de alguns setores mais expostos a esta crise.

A FIPA entende que as medidas recentemente apresentadas pelo Governo vão na direção correta, em particular pela resposta às preocupações que já vinha transmitindo à sua tutela e pela inclusão do setor agroalimentar, mas necessitam de ser mais ambiciosas.

Alerta, no entanto, que a rápida atribuição destes apoios se reveste da maior urgência, pelo que o acesso aos mesmos deve ser de imediato clarificado e desburocratizado, sob pena de não chegarem a tempo às empresas em situação mais crítica.

A FIPA apela ainda ao Governo que, face à proposta apresentada na semana passada pela Comissão Europeia de obrigar reduzir o consumo de eletricidade em pelo menos 5 % durante as horas de ponta, o Governo possa, em Bruxelas, defender o reconhecimento da indústria alimentar como um sector essencial que merece uma abordagem especial no que diz respeito ao acesso ao abastecimento de energia.

A par destas medidas, a FIPA exorta o Governo a reativar, com urgência, o grupo de acompanhamento do abastecimento agroalimentar, pois foi o diálogo gerado durante a pandemia e o início da guerra que permitiu uma melhor identificação das necessidades e o desenho de soluções para manter o normal abastecimento alimentar do país.

Durante o último ano, os custos de produção do sector agroalimentar cresceram drasticamente. O gás natural, a eletricidade, os fertilizantes, os combustíveis, as matérias-primas de base, designadamente os cereais para a alimentação, humana e animal, os materiais de embalagem e o trabalho externo aumentaram para níveis difíceis de comportar.

É certo que o aumento de custos teve o seu início com a recuperação pós-Covid, devido às restrições da procura e da cadeia de abastecimento, mas foram, entretanto, severamente agravados pela invasão russa da Ucrânia, relativamente à qual não se perspetiva o seu fim.

A estes graves constrangimentos juntam-se a dificuldade de recrutamento de mão-de-obra, a tributação de grande parte dos produtos à taxa normal de IVA e o peso do IRC.

De acordo com Jorge Henriques, presidente da FIPA, “a dificuldade de reverter o aumento dos preços da energia, especialmente do gás natural e da eletricidade e das matérias-primas de base, como os cereais e oleaginosas, ameaçam a continuidade dos ciclos de produção agroalimentar e, por conseguinte, a capacidade de manter o normal abastecimento de produtos alimentares, incluindo os destinados à alimentação animal.”

dados estatísticos

Exportações Indústria Alimentar (milhões de euros)

  • 542
  • 614
  • 572
  • 581
  • 587
  • 645

Exportações 2021 - 2022

  • 533
  • 645

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