Competitividade

Setor alimentar europeu exige acesso prioritário à energia para evitar subida dos preços dos alimentos

06.05.2026 |

As principais organizações europeias da cadeia agroalimentar apelaram a uma resposta urgente por parte da União Europeia e dos Estados-Membros, face ao agravamento da instabilidade geopolítica associada ao conflito no Médio Oriente, alertando para o risco de aumento dos preços dos alimentos e perturbações no abastecimento.

Num comunicado conjunto, associações como a CEJA, Copa-Cogeca, CELCAA, FoodDrinkEurope e EuroCommerce defendem que os operadores do setor devem ter acesso prioritário à energia e a matérias-primas essenciais, a preços acessíveis e competitivos, de forma a garantir a continuidade do fornecimento e a acessibilidade alimentar para os consumidores europeus.

A crise em curso está a exercer uma pressão significativa sobre os mercados globais de energia, rotas de transporte e fluxos comerciais. Embora os agricultores e a cadeia de abastecimento agroalimentar europeia continuem a operar, o contexto atual tem vindo a gerar incerteza e volatilidade crescentes, com impacto direto nos custos de produção.

Segundo as organizações, já são visíveis aumentos significativos e instabilidade nos preços de fatores essenciais como fertilizantes, energia, materiais de embalagem, logística e transporte. Esta pressão ao longo de toda a cadeia de valor poderá, na ausência de medidas urgentes, traduzir-se numa subida sustentada dos preços dos alimentos, afetando sobretudo os agregados familiares mais vulneráveis.

As associações sublinham que o setor agroalimentar deve ser reconhecido como crítico, defendendo que agricultores, cooperativas, indústria alimentar, distribuidores e retalhistas tenham acesso garantido a energia e insumos essenciais. Tal medida é considerada fundamental para assegurar a estabilidade da produção, a previsibilidade da distribuição e a manutenção de preços acessíveis.

Num contexto de rápida evolução, as organizações consideram ainda necessárias medidas temporárias, direcionadas e proporcionais para os agentes mais expostos, nomeadamente pequenas e médias empresas, agricultores e operações com elevado consumo energético. Essas medidas deverão ser coordenadas ao nível europeu, evitando distorções no mercado e preservando o funcionamento do Mercado Único.

O comunicado destaca também a iniciativa “AccelerateEU”, apresentada pela Comissão Europeia a 22 de abril de 2026, como um primeiro passo para enfrentar a volatilidade dos preços da energia e reforçar a resiliência da União. Entre as propostas incluem-se o reforço da coordenação entre Estados-Membros, o investimento em infraestruturas energéticas e a aceleração da transição para fontes de energia mais limpas e produzidas localmente.

As organizações defendem que é essencial acelerar processos de licenciamento, melhorar redes elétricas e aumentar a capacidade de armazenamento, garantindo assim condições para a transição energética do setor.

Face ao atual cenário, as entidades apelam a uma resposta europeia forte, coordenada e imediata, que assegure a produção alimentar, a segurança energética e evite uma nova crise inflacionista nos alimentos.

As associações subscritoras garantem que continuarão a acompanhar a evolução da situação, colaborando com a Comissão Europeia e outras autoridades no âmbito do Mecanismo Europeu de Preparação e Resposta a Crises de Segurança Alimentar.

Fonte: FoodDrinkEurope

dados estatísticos

Exportações Indústria Alimentar (milhões de euros)

  • 619
  • 622

Exportações 2025 - 2026

  • 615
  • 622

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