Consumidor

Traçadas tendências de consumo

05/03/2018 |

De acordo com as conclusões da Kantar Worldpanel, refletidas na 6.ª Edição do ‘Marcas+Consumidores’ preparado para a Centromarca, o mercado de Fast Moving Consumer Goods (FMCG) manteve uma tendência negativa em 2017, com um decréscimo de 2,7% em volume, o que demonstra que os portugueses estão a privilegiar cada vez mais o consumo ‘fora de casa’. A alimentação em casa foi mesmo o setor mais afetado no último ano ao registar um decréscimo de 3% em volume. Por outro lado, os canais de proximidade e conveniência destacam-se como os mais dinâmicos não apenas a nível nacional, mas também a nível internacional, ao orientarem as principais escolhas dos consumidores. A inovação, uma maior presença do consumidor mais velho – a partir dos 50 anos – e o crescimento do mercado online marcam as principais tendências no Grande Consumo para 2018.

 

Tendência negativa para o consumo ‘dentro de casa’
O crescimento difícil no mercado FMCG foi apenas compensado pela época de Natal. Segundo os dados trabalhados pela Kantar Worldpanel, cerca de 79% dos portugueses passaram o Natal em casa, o que levou à compra de uma maior quantidade de produtos a cada ida ao supermercado. Ainda assim, o setor mostrou uma evolução positiva em relação ao ano anterior quando analisadas apenas as faixas etárias mais elevadas: entre os 50 e os 64 anos, registou-se um crescimento de 1,6% em termos de ocasiões de compra; a faixa etária a partir dos 65 anos apresentou um crescimento de 2,6%.

 

Canais de proximidade e conveniência respondem às exigências dos consumidores
A análise feita pela Kantar Worldpanel mostra que os canais conhecidos por proximidade e conveniência são já uma tendência à escala global. Em Portugal, o mercado FMCG apresentou uma evolução de 4,5% em valor no online e de 7,4% nas lojas de baixos preços, chamadas discount. Neste segmento, Aldi e Lidl são as lojas mais dinâmicas e atrativas de 2017 – com uma evolução de 3% em volume –, embora desenvolvam estratégias de mercado distintas.  Enquanto a aposta do Lidl recai na marca própria, o Aldi promove de forma crescente a marca de fabricante. Para Pedro Pimentel, Diretor-Geral da Centromarca, esta é uma aposta “interessante” por parte de uma insígnia discount com grandes competidores em Portugal. “Isto só mostra que as marcas estão vivas e que são um valor seguro, mesmo para os grandes retlhstas internacionais. A estratégia do Aldi, ao promover as marcas de fabricante, agita o conceito das compras em supermercado”. Já Blandine Meyer, da Kantar Worldpanel, explica este crescimento com o facto de “os consumidores valorizarem os preços baixos e a conveniência associados a estas lojas.

 

Tendências do Grande Consumo para 2018
Os dados agora divulgados apontam a inovação como o elemento-chave para contornar fatores externos ao consumidor como são o caso das taxas e dos impostos especiais sobre o consumo. De acordo com o Diretor-Geral da Centromarca, “o Estado tende a penalizar alguns produtos em vez de escolher a via da educação e da promoção de estilos de vida saudável, esquecendo-se que o eventual problema não está no produto em si, mas na quantidade que é consumida”. Além da inovação, também o consumo sénior, as compras online, a conveniência e a personalização perfilam-se como principais tendências do Grande Consumo para 2018. Pedro Pimentel explica que o consumidor de faixas etárias mais elevadas está a mudar e que tem vindo a merecer cada vez mais atenção por parte do setor de bens de consumo: “É uma faixa de consumidores especial, fiel às marcas, mas a descobrir paulatinamente as Marcas de Distribuidor. Por esta razão, as marcas não podem descurar um tipo de target cada vez mais relevante aquando do desenvolvimento das suas estratégias de negócio e da comunicação dos seus serviços e produtos”. Relativamente ao online, Blandine Meyer espera mudanças devido à possível entrada da Amazon em Portugal. “Com a chegada dos mais importantes operadores globais, não tenho dúvidas que o e-commerce tenderá a sofrer um rápido desenvolvimento, motivando o comércio offline a reinventar-se na tarefa de encontrar dinâmicas de integração com o próprio comércio online”, defende.

 

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