Sustentabilidade

Empresas apontam obstáculos à Economia Circular

28/07/2021 |

A legislação e o enquadramento regulamentar, a par das questões económicas e financeiras, são os dois principais obstáculos à implementação de processos de circularidade por parte das empresas portuguesas. Esta é uma das conclusões preliminares do inquérito realizado pela CIP – Confederação Empresarial de Portugal, junto de 194 empresas, em parceria com a EY‑Parthenon.

Na resposta às barreiras mais restritivas à implementação de estratégias de circularidade, 37,1% das empresas respondentes identificou a legislação e o enquadramento regulamentar, nomeadamente devido a regulamentação complexa (80%) e processos de desclassificação de resíduos difíceis e demorados (61%). Também as questões económicas e financeiras foram identificadas como um dos principais obstáculos por 35,6% das empresas, desde logo devido à necessidade de investimento de longo prazo (64%) e de adoção de processos de gestão e planeamento mais dispendiosos devido à aplicação de práticas mais complexas (57%).

Destaque ainda para as questões técnicas, classificadas igualmente como tema muito restritivo por parte de 31,1% das empresas. As justificações mais apontadas pelas empresas foram a necessidade de adoção de tecnologias específicas (e.g. reciclagem) para a criação de produtos circulares e de sistemas de produção circulares, mantendo o nível de qualidade ou segurança dos produtos (70%) e a necessidade de maior know-how e conhecimento tecnológico (56%).

Em comunicado, a Assessora Sénior da CIP para a área de Ambiente & Clima, Sílvia Machado, sublinha que “este inquérito, cujos resultados são ainda preliminares, tornam óbvia a necessidade de termos procedimentos mais simples e mais céleres para a utilização de matérias-primas secundárias, além de clarificação regulatória sobre os vários mecanismos de desclassificação de resíduos para subprodutos”. E acrescenta: “Além disso, são essenciais incentivos para a utilização de matérias-primas secundárias pelos fabricantes (frequentemente mais onerosas do que as virgens), bem como para o consumidor, para que valha a pena investir num produto mais durável, eco concebido para poder ser reparado e/ou recondicionado e totalmente reciclado no fim de vida”.

Praticamente todas as empresas respondentes (97%) consideram ser uma vantagem competitiva as empresas terem uma abordagem de Economia Circular na forma como adquirem, produzem e vendem produtos. A grande maioria das empresas considera a escassez de recursos naturais muito crítica (41%) ou crítica (25,3%) para o funcionamento contínuo do negócio.

As estratégias de Economia Circular são encaradas como uma solução para mitigar a escassez de recursos naturais por mais de metade dos respondentes considerados. No entanto, apenas 19% integra quase sempre a Economia Circular na tomada de decisões estratégicas para reduzir os seus impactos ambientais.

Este inquérito insere-se no projeto "Economia Mais Circular", desenvolvido em estreita colaboração com as empresas, ao longo de 12 meses. Além de fazer um levantamento do estado da arte da Economia Circular em Portugal – identificando as boas práticas já adotadas e os projetos em curso – o projeto E+C procura estimular a adoção de uma metodologia de medição da circularidade nas empresas portuguesas amplamente testada a nível internacional, através da ferramenta Circulytics, desenvolvida pela Fundação Ellen MacArthur.

Os resultados globais serão divulgados em setembro.

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